Catástrofes em série dão asas a teorias sobre fim do mundo

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A tsunami de dezembro de 2004 no oceano Índico, o furacão Katrina no Golfo do México, o terremoto da Ásia em 2005 , entre outros mais recentes são, segundo os cientistas, uma mera coincidência, mas muitas pessoas, principalmente religiosos, vêem estas catástrofes como sinais claros da proximidade do fim do mundo.

Para o tele-evangelista ultraconservador americano Pat Robertson, a série macabra marca o fim do mundo e anuncia o retorno iminente de Jesus Cristo.

“Estas tragédias começaram a acontecer com uma regularidade espantosa”, afirmou recentemente à rede de notícias CNN.

Fundador da “Christian Coalition” (Coalizão Cristã), que afirma que o fim do mundo será precedido por revoltas políticas e catástrofes geológicas, Robertson interpreta os últimos acontecimentos como sinais premonitórios.

Aludindo à Bíblia, recordou que no Livro Sagrado está claro que um dia Jesus Cristo voltará para iniciar uma nova era. “Só que antes da chegada deste tempo haverá dias difíceis semelhantes aos momentos que precedem o nascimento de uma criança para uma mãe grávida”, frisou.

Este pastor batista carismático, muito reacionário, é amplamente conhecido nos Estados Unidos onde também é um influente homem de negócios, sobretudo depois de ter criado uma rede de televisão – a Christian Broadcasting Network -, um canal que usa para atacar regularmente o comunismo e o islamismo.

As profecias bíblicas que evocam o fim do mundo são fontes de inúmeras teorias que sublinham a mão de Deus nas catástrofes naturais. O Evangelho de Mateus cita Jesus Cristo explicando aos discípulos que o apocalipse será precedido de terremotos. O maremoto do dia 26 de dezembro de 2004, gerado por um poderoso sismo e que matou pelo menos 217 mil pessoas, entra nesta categoria de terremotos anunciados pelo Evangelho, da mesma forma que o de sábado na Ásia meridional, que pode ter deixado cerca de 40 mil mortos.

Muitos incluem qualquer catástrofe natural, o que permite aos fundamentalistas americanos acrescentar as 1.200 vítimas deixadas pelo furacão Katrina no sul dos Estados Unidos.

“É uma advertência e um prelúdio de tudo que ocorrerá na Terra… isso deveria levar as pessoas a se arrepender enquanto há tempo”, escreveu o pastor Mark Hitchcock no portal cristão fundamentalista “Left Behind Prophecy Club”.

Na contramão deste discurso, os cientistas não explicam da mesma maneira as catástrofes em série dos últimos anos.

Os geólogos, em particular, reiteram que essas catástrofes não são mais numerosas do que as do passado, quando se contabilizava tragédias durante vários séculos.

“Tudo não passa de mera coincidência”, explicou o professor Chan Lung San, perito em Ciências da Terra na Universidade de Hong Kong.

“Não há qualquer relação. Os acontecimentos geológicos e meteorológicos como vêm acontecendo são independentes uns dos outros”, ressaltou.

Fonte:  Uol


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